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Casamarela

Blog experimental, dedicado a uma ala do Palácio Amarelo de Portalegre. Verdadeira «Casa de Bonecas», onde, seguindo a tradição, há sinais e emblemas de nobreza. Assim: Casa Amarela, Cas'Amarela, ou Casamarela

Casamarela

Blog experimental, dedicado a uma ala do Palácio Amarelo de Portalegre. Verdadeira «Casa de Bonecas», onde, seguindo a tradição, há sinais e emblemas de nobreza. Assim: Casa Amarela, Cas'Amarela, ou Casamarela

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NEC DOMUS DOMINUS, SED DOMINO DOMUS, HONESTANDA EST

Já aqui escrevemos, muitas vezes, sobre uma iconologia específica - ou, entenda-se, de vários sinais da iconografia cristã (que foram aplicados na arquitectura). Eram sinais de nobreza, marcantes da(s) Domus (i. e., da arquitectura doméstica).

O que aconteceu frequentemente em Portalegre, na cidade que foi dos 6 ou 7 conventos (?), mas que é ainda, também, a cidade das Pedras d'Armas, ou Portais Armoriados.

Exemplo que se encontra e pode ver em dois cunhais do Palácio Amarelo.

E por isto escrevemos hoje um post muito mais longo e erudito. Numa só palavra há que dizer: «especializadíssimo». De tal ordem que, na destrinça temática que tentamos fazer nos nossos blogs - acabámos por decidir exportá-lo para Iconoteologia.

Está lá, vão -----> por aqui. para quem quiser esforçar-se e compreender uma Historiografia da Arte que se baseia na Teologia Cristã, onde aliás nasceu!

Restaurar e ficar:

Ou um "restore & stay" como no Château de Gudanes...

Se aqui houvesse hipótese de implementar esta ideia, (...) quem sabe?

Poderia ser talvez uma forma de ir avançando, com mais resultados, visíveis...

DSCN8760.JPG

Como visíveis são (desde que bem iluminadas) as diferentes camadas de tintas que assim «assassinaram» uma "salinha barroca" de uma casa que é ainda agora considerada um ex-libris da cidade de Portalegre.

Na hora certa

É verdade, pode haver uma hora certa para estar em Portalegre:

Melhor, exactamente quando sol que passa a Porta do Crato (ou Arco do Bispo) e projecta luz e sombra na parede do fundo.

Aqui a fazer lembrar o filme de uma máquina fotográfica, embora - a essa hora (certa) - sejam vários os pontos da cidade onde a luz brinca com as formas da arquitectura 

 

Por obrigação e um certo sentido de dever

É assim que estamos (e ficamos) em Portalegre: mal-instalados, talvez bem pior que num campismo de luxo?

Mas melhor que tudo são as imagens, o que se pode beber pelos olhos, ou as conversas que aqui e ali vamos tendo.

DSCN8887.JPG

De manhã, depois de acordar e olhar para janela - vendo aí as grades da varanda, estampadas em sombra na cortina; depois passámos pela Sé.

Para desfrutar de um panorama incrível...

O que vai ficar para depois e para ICONOTEOLOGIA, já que se vai chamar, interrogativamente -

"Apologia da Elipse" 

LIVRO DE RECLAMAÇÕES ON LINE

As assimetrias entre o interior e o litoral vêem-se nas mais pequenas coisas. Inclusivamente na relação dos prestadores dos Serviços Públicos Essenciais com os seus utentes.

Concretamente, parece haver entidades* que se julgam no direito de cortar o fornecimento da água - causando enormes despesas e transtornos àqueles com quem esses serviços têm contratos -, sem cumprir o que a lei diz a este propósito.

Entidades cuja postura é de enorme arrogância, ao contrário do que se passa nos municípios do litoral (onde se vê uma preocupação genuína de servir as pessoas). Pois apesar de já contactadas, e repetida e insistentemente solicitada a sua atenção, para o entendimento erróneo que fizeram da legislação continuam a não responder...

DSCN5230.JPG

Neste sentido uma notícia de hoje, promete vir, aparentemente, ajudar o consumidor a defender-se das arbitrariedades desses equivocados prestadores de Serviços Públicos Essenciais.

E assim o chamado  LIVRO DE RECLAMAÇÕES ON LINE surge como uma boa noticia, na hora certa!

*Aqui fornecimento de Água

A vontade de preservar o Palácio Amarelo não foi nossa! Só que, quando chegámos (para fazer alguma coisa..., no Verão de 2014) já estava tudo bastante destruído

SIPAImage.aspx.jpg

E, sem dúvida que a Câmara Municipal de Portalegre foi sempre tendo conhecimento do que se estava a passar?

Página vinda de: http://www.monumentos.pt/Site/APP_PagesUser/SIPAArchives.aspx?id=092910cf-8eaa-4aa2-96d9-994cc361eaf1&nipa=IPA.00003211

Note-se ainda que o site Monumentos disponibiliza bastante mais documentação (muito) cabal para ajudar a esclarecer o que se foi passando ao longo do tempo: 

A evidenciar os cuidados dos locais com um dos seus monumentos...

(legenda & ampliação)

Em Portalegre, Cidade...

Se os nossos outros blogs - primeiro criados, Primaluce e Iconoteologia - são dedicados a várias teorias sobre o ver, e o que contêm muitas das imagens que vemos, e em especial o que vemos na Arquitectura, já este, Casamarela, é dedicada ao ver em Portalegre.

Porque na cidade há imenso para ver: primeiro, e como significa a palavra Primaluce, antes da cidade ter sido construida, havia o sítio, e a sua relação com o Sol (chame-se exposição solar ou orientação...), o qual é um privilégio como já se mostrou em vários posts.

Depois, terá havido, na sequência do Foral dado por D. João III, a ideia do lugar e porto alegre. Na Escadaria do Palácio/Casa Amarela, apesar de toda a desvalorização feita, e de toda a degradação infligida a esse edifício, lá está, ainda registada em moldura barroca (portanto com vontade de criar obra que fosse para perdurar, sobretudo muito monumental) a frase: "ouvrage riant".

Ou seja, a obra que ri.

E de facto, na Cidade, não fora a depressão e o desinvestimento (industrial), e estaríamos perante um lugar que, em parte, nos lembra Sintra e a sua Paisagem Cultural, assim classificada pela UNESCO. Ou, que lembra também Évora....

Acontece que Sintra é obra, primeiro de D. Dinis, mas depois, principalmente do Romantismo. Dos turistas que à distância seguiram os ingleses, como De Visme e William Beckford; depois tal como D. Fernando II, na sua procura por lugares, onde houvesse ares "similhantes" aos das suas terras.

Já Évora, por um outro tipo de centralidade (e funcionalidade) no território geográfico, sempre se manteve habitada, sem que sofresse a desindustrialização e depois a desertificação (recente) que houve em Portalegre, no último século.  

É que olhando para a história, Portalegre teve um imenso desenvolvimento, contínuo, durante séculos, e edifícios como o da Câmara Municipal (antiga) - logo ali ao lado da Sé, e evidentemente a própria Sé; ou também ainda o edifício do Seminário, que é hoje Museu Municipal; essas edificações evidenciam, num ambiente que como já se escreveu nos lembra Itália, uma riqueza antiga, cultural, e portanto também a presença humana, criadora de diversas «ambiências».

Assim, que a ideia de que Portalegre está na moda, seja mais do que uma frase bairrista, ou dita para dentro, e para consumo interno: qual «auto-colocação» numa Movida que, se existe (?), é praticamente insensível, aos que não estão ou não se deslocam à cidade! (é que de fora, ninguém ouviu falar nisso...)

DSCN8547.JPG

O que se deseja: é que Portalegre fique mesmo na moda!

Que se respire um espírito de verdadeira abertura e urbanidade, dirigida aos locais, e aos turistas: os de meia-idade, cultos - que os vemos passar e com quem já temos conversado..., que se deslocam à procura de um Portugal tradicional e genuíno, que existe, mas que (sabe-se lá se tímido, degradado ou sem auto-estima?) pouco se mostra*.

Ou pouco aproveita «desta onda» que, segundo (nos) parece, continua a formar-se e a passar.  

Que a hiperlitoralização do país seja substituída, como já foi pronunciado por alguns governantes, por ondas - não de água nem salgadas -, mas de dinamização das cidades e das terras que outrora foram consideradas fronteiriças.

Que se concretize, ao longo - ou por perto, o mais possível! - dessas linhas de fronteira, uma vontade de abrir e desenvolver. Já que, estão bastante mais perto de vários centros/cidades europeias com as quais podem estabelecer trocas, culturais e económicas.

Que as pessoas, os locais - sobretudo os MAIS JOVENS -, sejam educadas, ensinadas e promovidas para estarem à altura deste desafio. E para que no durante, e no depois, dessas acções mobilizadoras que são necessárias, sejam os maiores beneficiados do salto ou impulso que a cidade deve (deveria) querer dar, urgentemente. Também no sentido de não ser necessário ir para fora, para se valorizarem. Que a Cidade e a região se inovem, como portadoras de futuro! 

*Desperdiçando até as sinalizações urbanas que a própria edilidade, em jeito de publicitação, coloca junto dos seus monumentos (fechados!)

Vindo de quem sabe o que são Ruínas

Ou seja, de um sábio Ruinólogo

 

Se no século XIX John Ruskin amava as ruínas, e em especial as que tinham muitas heras*; no nosso caso, e apesar da beleza que esses revestimentos conferem às edificações, claro que detestamos as heras.

Em Portalegre, n' «a Ruína que nos saiu» (qual rifa...!), a Câmara Municipal, há décadas instalada na casa, desconhecia a existência de um logradouro, dos seus habitantes, e de todas as heras que estavam a entrar casa adentro, ... pelas janelas.

Também da água que entrava pela cobertura?

DSCN8505.JPG

(ler legenda, perceber a razão desta imagem)

*Note-se que o "amor de Ruskin pelas ruínas" veio a fazer dele um caso na História da Arquitectura, ao tornar-se um dos principais teóricos da conservação e preservação das obras mais antigas e valiosas. Defendia exactamente as medidas de conservação, aplicadas o melhor possivel (o que implicava também o máximo cuidado desde a obra inicial), para que um dia não fosse necessário fazer restauros.

Este vício de ver, e querer registar, aquilo de que se gosta

Em Portalegre, janelas lindas, mais os seus reflexos, que por vezes lembram «aguarelas ficcionadas»...

 ...no entanto, são realidade!

 

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