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Casamarela

Blog experimental, dedicado a uma ala do Palácio Amarelo de Portalegre. Verdadeira «Casa de Bonecas», onde, seguindo a tradição, há sinais e emblemas de nobreza. Assim: Casa Amarela, Cas'Amarela, ou Casamarela

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Em Portalegre, Cidade...

Se os nossos outros blogs - primeiro criados, Primaluce e Iconoteologia - são dedicados a várias teorias sobre o ver, e o que contêm muitas das imagens que vemos, e em especial o que vemos na Arquitectura, já este, Casamarela, é dedicada ao ver em Portalegre.

Porque na cidade há imenso para ver: primeiro, e como significa a palavra Primaluce, antes da cidade ter sido construida, havia o sítio, e a sua relação com o Sol (chame-se exposição solar ou orientação...), o qual é um privilégio como já se mostrou em vários posts.

Depois, terá havido, na sequência do Foral dado por D. João III, a ideia do lugar e porto alegre. Na Escadaria do Palácio/Casa Amarela, apesar de toda a desvalorização feita, e de toda a degradação infligida a esse edifício, lá está, ainda registada em moldura barroca (portanto com vontade de criar obra que fosse para perdurar, sobretudo muito monumental) a frase: "ouvrage riant".

Ou seja, a obra que ri.

E de facto, na Cidade, não fora a depressão e o desinvestimento (industrial), e estaríamos perante um lugar que, em parte, nos lembra Sintra e a sua Paisagem Cultural, assim classificada pela UNESCO. Ou, que lembra também Évora....

Acontece que Sintra é obra, primeiro de D. Dinis, mas depois, principalmente do Romantismo. Dos turistas que à distância seguiram os ingleses, como De Visme e William Beckford; depois tal como D. Fernando II, na sua procura por lugares, onde houvesse ares "similhantes" aos das suas terras.

Já Évora, por um outro tipo de centralidade (e funcionalidade) no território geográfico, sempre se manteve habitada, sem que sofresse a desindustrialização e depois a desertificação (recente) que houve em Portalegre, no último século.  

É que olhando para a história, Portalegre teve um imenso desenvolvimento, contínuo, durante séculos, e edifícios como o da Câmara Municipal (antiga) - logo ali ao lado da Sé, e evidentemente a própria Sé; ou também ainda o edifício do Seminário, que é hoje Museu Municipal; essas edificações evidenciam, num ambiente que como já se escreveu nos lembra Itália, uma riqueza antiga, cultural, e portanto também a presença humana, criadora de diversas «ambiências».

Assim, que a ideia de que Portalegre está na moda, seja mais do que uma frase bairrista, ou dita para dentro, e para consumo interno: qual «auto-colocação» numa Movida que, se existe (?), é praticamente insensível, aos que não estão ou não se deslocam à cidade! (é que de fora, ninguém ouviu falar nisso...)

DSCN8547.JPG

O que se deseja: é que Portalegre fique mesmo na moda!

Que se respire um espírito de verdadeira abertura e urbanidade, dirigida aos locais, e aos turistas: os de meia-idade, cultos - que os vemos passar e com quem já temos conversado..., que se deslocam à procura de um Portugal tradicional e genuíno, que existe, mas que (sabe-se lá se tímido, degradado ou sem auto-estima?) pouco se mostra*.

Ou pouco aproveita «desta onda» que, segundo (nos) parece, continua a formar-se e a passar.  

Que a hiperlitoralização do país seja substituída, como já foi pronunciado por alguns governantes, por ondas - não de água nem salgadas -, mas de dinamização das cidades e das terras que outrora foram consideradas fronteiriças.

Que se concretize, ao longo - ou por perto, o mais possível! - dessas linhas de fronteira, uma vontade de abrir e desenvolver. Já que, estão bastante mais perto de vários centros/cidades europeias com as quais podem estabelecer trocas, culturais e económicas.

Que as pessoas, os locais - sobretudo os MAIS JOVENS -, sejam educadas, ensinadas e promovidas para estarem à altura deste desafio. E para que no durante, e no depois, dessas acções mobilizadoras que são necessárias, sejam os maiores beneficiados do salto ou impulso que a cidade deve (deveria) querer dar, urgentemente. Também no sentido de não ser necessário ir para fora, para se valorizarem. Que a Cidade e a região se inovem, como portadoras de futuro! 

*Desperdiçando até as sinalizações urbanas que a própria edilidade, em jeito de publicitação, coloca junto dos seus monumentos (fechados!)

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