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Casamarela

Blog experimental, dedicado a uma ala do Palácio Amarelo de Portalegre. Verdadeira «Casa de Bonecas», onde, seguindo a tradição, há sinais e emblemas de nobreza. Assim: Casa Amarela, Cas'Amarela, ou Casamarela

Casamarela

Blog experimental, dedicado a uma ala do Palácio Amarelo de Portalegre. Verdadeira «Casa de Bonecas», onde, seguindo a tradição, há sinais e emblemas de nobreza. Assim: Casa Amarela, Cas'Amarela, ou Casamarela

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À vol d'oiseau. Este fim-de-semana, grande desconfinanço: Grand Tour, que - de Portalegre a Sintra - no fim, nos fez chegar a Londres

Desta vez não foi Lisboa-Cascais-Sintra..., mas sim a uma outra cidade - que em nossa opinião - tem algo a ver com Sintra. Semelhanças, e analogias que se podem estabelecer..

Porque Sintra, não esqueçamos, é - tal como Portalegre -, um aglomerado populacional erguido numa Serra.

Hoje Sintra é uma Vila, enquanto Portalegre é Cidade. Mas, de igual modo, uma cidade na Serra.

Portalegre tinha passado a Diocese em 1549, por decisão de D. João III, que no ano seguinte, por Carta Régia a elevou a Cidade.

Muitos séculos mais tarde, Sintra*, pelas suas características foi reconhecida pela Unesco como primeira Paisagem Cultural.

Uma classificação que valorizou a simbiose entre a base, ou o que é o território natural, e depois as construções humanas que ao longo do tempo se foram colocando sobre essa mesma base. É a natureza que se torna paisagem**. Cultural - porque as obras humanas, materiais e físicas, seguem sempre valores que são patrimónios intangíveis***. 

E as analogias (entre Sintra e Portalegre) acabam aqui, já que outras nos ocorrem.

É que entre o natural e o que é construído por cima há sempre mais: por exemplo, há apropriações inesperadas, como aconteceu nos casos das fotografias seguintes.

Nas primeiras é óbvio, visível e notório: sem pedirem licença a ninguém as cegonhas chegaram e instalaram-se. Querem lá saber se é rural ou urbano, monumento nacional, ou «ruína anódina» de Portalegre...?

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DSCN2603-CMP-CEGONHAS-B.jpg

Mas se em Portalegre a Wildlife pouco ou nada importa aos portalegrenses, e ninguém quer saber se as cegonhas chegam ou partem (excepto nós, que ficámos fascinados a fotografá-las...). Já em Londres, frente à Tate, há anos assisti a um enorme reboliço.

Mais importante do que as exposições lá dentro, era cá fora um passaroco que se tinha instalado num peitoril de janela, onde foi fazer o ninho. Com isso levou a que a comunicação social, apaixonados por pássaros e pela vida selvagem, se instalassem em frente. Para que nada se perdesse da vida daqueles seres, tão frágeis: nem um só bater de asas, ou qualquer movimento no ninho...

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P1010198.JPG

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No fim, moral da história, uma roulotte para lembrar o lado natural da vida: 

Aren't birds brilliant!

Wildlife for all

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* "Foi a 9 de Janeiro de 1154, DAfonso Henriques outorgou a Carta de Foral a Sintra, ...

** "Landscape", algo que também é ou existe em Portalegre, embora bastante menos visível e portanto mais longe de ser valorizado. Note-se que em inglês à palavra "landscape" alguns opõem a palavra "townscape" (e"townscape" pode-se traduzir como paisagem urbana).

*** Como é o caso das religiões.

Citações Visuais

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(e sobre a Arte do Ferro*)

Porque uma obra de Arte também ganha valor, pelas outras obras a que dá origem; ou nas quais é citada.

E sendo citada, o importante não é exactamente a total e completa analogia; ou a verosimilhança dessas citações, e suas referências, em relação à obra original. Mas, pelo facto de ser reconhecida e identificada.

Todas as obras a que, em geral, se atribui/reconhece valor artístico, ou, dito de outra maneira, que usufruem de uma certa (maior) fortuna crítica - quando essas obras se citam umas às outras... - também se estão a valorizar mutuamente.

E isto, que é uma das características do Património Cultural, também lhe confere valor económico**

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*Ontem tivemos um apoio fantástico de alguém da BM de Cascais (Casa da Horta da Quinta de Santa Clara), que nos fez chegar informações de Luís Keil, vindas do Inventário Artístico de Portugal, relativas ao Distrito de Portalegre, ANBA, Lisboa 1943.

** Ver informações

As duas imagens iniciais são da Tapeçaria (excertos) desenhada por João Tavares. Refere-se à aclamação do Duque de Bragança, D. João IV, como Rei de Portugal. Feita - segundo está no relato visual - a partir da varanda do edifício antigo da Câmara Municipal de Portalegre

(não do edifício actual, mas o do Largo da Sé). 

O amor dos portalegrenses à Casa Amarela, estará expresso, por exemplo, no número de visualizações de algumas fotografias? É que ontem - 13/01/2021 - foi assim


  1. Casamarela - 36

  2. Hoje é sem perguntas - 23

  3. O Palácio Amarelo e a divisão que foi feita há mais de um século... - 5

  4. Para a história da Casa Amarela de Portalegre - 5

  5. O "rincón" dos ROMO na muralha do castelo de Portalegre - 4

  6. Muitas vezes apetece estar na idade dos porquês... - 4

  7. SEMPRE QUE ESTOU EM PORTALEGRE... - 3

  8. TODOS O PISAM... - 2

  9. De um postal ao nosso desenho e vice-versa - 2

  10. Os rabiscos, ou gatafunhos & doodles , que passavam para a Arquitectura - 2

  11. Um óptimo e feliz 2020 - 2

  12. O que se esperava, e o que saiu ao contrário.... - 2

  13. De Bien Faire et Laisser Dire... - 1

  14. Num terreno com uma ocupação intensa, várias vezes centenária, não admira aquilo que aparece... - 1

  15. Feliz Natal - 1

  16. Como chegar a Portalegre? - 1

  17. Outros «registos» de PORTALEGRE - 1

  18. Deambulações: Teóricas e Práticas pela Iconografia religiosa, antiga, que chegou à actualidade - 1

Hoje é sem perguntas

Um post apenas de constatações:

As saudades de uma tarde de Verão...

PalácioAmarelo-bestLights.JPG

... quente,

dentroDoZimbório.jpg

... e em que as paredes e as suas aberturas são motivos para deleite visual.

Em Portalegre, claro

Muitas vezes apetece estar na idade dos porquês...

E hoje* é assim:

Porque será que são iguais estes desenhos de pavimentos? 

Vol,II,p. 186.jpg

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A fotografia superior vinda da Arquitectura Popular em Portugal,  edição do Sindicato Nacional dos Arquitectos, Lisboa 1961. Vol. II, p 186. E de acordo com a legenda, trata-se de um pavimento de Portalegre.

As (3) fotografias inferiores são pavimentos de Cascais, fotografados há uns dias.

Neste caso apetece perguntar que idade tem - se ainda existe - o pavimento de Portalegre?

Ou, de outra maneira, e ainda como pergunta:

Quem é que copiou quem?

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Note-se que "outro dia" - altero die - de um post prometido em 11.11.2o2o, é hoje:

(e assim está cumprido, o post prometido)

Para a história da Casa Amarela de Portalegre

Hoje, há 55 anos, na sua casa em Portalegre morreu quem pode ter sido durante mais anos (?), sua proprietária e habitante: Helena Azevedo Coutinho

Image0049-c.jpg

A partir dos dados acima*, estas são contas simples de fazer, pois tendo casado em 1899 e ido viver desde 1909 até 1965, com o seu marido, que era o proprietário da parte menor deste conjunto monumental - a referida Casa Amarela -, na qual terá morado cerca de 55 anos. 

A fotografia seguinte vinda da Arquitectura Popular em Portugal,  edição do Sindicato Nacional dos Arquitectos, Lisboa 1961, mostra a casa no início dos anos sessenta.

1961-CASA.AMARELA-C.jpg

É impossivel não reparar na porta aberta, nas crianças a brincarem no exterior, assim como as portadas (hoje inexistentes, mas, quem sabe, a recuperar?) de uma janela do rés-do-chão

Depois, ainda na mesma página deste 2º volume, outras imagens e respectiva legenda, levam-nos a continuar este post.

(altero die)

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

*Vindo do Livro Genealógico das Famílias desta Cidade de Portalegre, por Manuel da Costa Juzarte de Brito (anotado, corrigido e actualizado por Nuno Borrego e Gonçalo de Mello Guimarães), edição Lisboa 2002, ver p. 657.

O Palácio Amarelo e a divisão que foi feita há mais de um século...

Foi José de Figueiredo, e a sua mulher, moradores no Monte Estoril, que ao venderem a casa a dois novos proprietários, quem, em 1909 operou a divisão deste conjunto portalegrense. Mas, muitas vezes, há quem não saiba (ou se esqueça?) desta informação:

"Esta Casa Amarela / Palácio Amarelo é um edifício do séc XVII, em bom estado de conservação, e está sob o domínio privado, não se podendo aceder ao interior sem autorização dos proprietários. Actualmente está dividido em dois edifícios, com dois brasões e duas famílias." *

Quanto a nós e sobre "o bom estado de conservação" é também uma boa maneira de se dizer:

Visto que sim, no verão, com toda a certeza, 'tá-se bem...  

DSCN9801.JPG

Na fotografia, a ala sul que foi desanexada em 1909. Permitiu deste modo a criação - numa casa senhorial de enormes dimensões - de um "petit appartement", como já estava na moda desde o tempo de Luís XIV, que o tinha criado em Versailles.

Mas em Portalegre, e apesar de haver nesta Casa Amarela detalhes que são característicos das casas nobres e das casas reais, por dentro, neste conjunto que é muitíssimo ecléctico, não existe un style Louis XV nem Louis XVI. Mas, pode-se falar na existência de uma peça que deve ser praticamente única (supomos?), pela simbiose que ficou feita entre o gosto Adam e a moda da cerâmica criada por Josiah Wedgewood.

E felizmente - ou não (sei lá, talvez ainda bem...) - este é mais um dos assuntos com que nos cruzámos na vida.

O qual, que se saiba, não está minimamente enquadrado, ou nem sequer estudado**.

~~~~~~~~~~~~~~

* Ler aqui 

** En passant já abordámos o assunto várias vezes, mas, definitivamente, ainda não tencionamos abandoná-lo

SEMPRE QUE ESTOU EM PORTALEGRE...

... TENHO CONVERSAS GIRÍSSIMAS

 

Eu à janela com alguém que passa, ...e geralmente não conheço. Metem conversa, muito admirados da casa estar habitada; mas claro, não imaginam o que vai lá dentro. "Como se faz das tripas coração"...

Hoje foi um engenheiro que me disse no fim, que estudou na Escola de Engenharia mais antiga do mundo.

Mas como ele estava lá em baixo e eu no andar de cima, com os sinos da Sé a tocarem, meio-surda, só ouvi "chaussées" 

Só que, dado o aviso, só pode ser a famosíssima École des Ponts et Chaussés..., ou ENPC

Enfim, a «malta erudita» que por aqui passa impressiona-me sempre, até porque, a «conversa erudita», bem gira, tinha continuado...

Por isso pergunto-me: vêm à procura de quê? Têm tão pouco em troca... Menos, muito menos, do que já seriam as suas próprias memórias, ou expectativas, como se supõe*.

Talvez o Museu da Tapeçaria os console? Esse sim, segundo julgo..., será hoje mais do que foi. Pois tudo o resto é bastante menos. Apenas mais ou menos, para lastimar**.

A quantidade de turistas desejosos, supõe-se, de verem mais, e que desesperadamente intrigados procuram (com o olhar) mais informações, é impressionante!

No nosso caso, se temos tempo, falamos e conversamos. Mas nem sempre é assim; nem sempre posso, ou me auto-imbuí da (mui nobre) missão de guia de turistas: de ajudar a que os que demandam partam mais ricos.

Obviamente, por mim adorei a conversa com o Eng. Des ponts et Chaussées - a fazer turismo com os pais, em Cabeço de Vide - por isso espero que com ele não se passe muito diferente.

Como também adorei - desde que o descobri - este páteo de laranjeiras (minúsculas) tão perto da minha casa. Sobretudo pelas fachadas que o envolvem.

Um sítio óptimo em tempos de confinamento para espectáculos ao ar livre: houvesse algum restauro, mínimo para não desvirtuar o verdadeiro picturesque desse cenário; houvesse vontade e imaginação

Houvesse um care..., e muito poderia ser diferente***

Portaleegre-PáteoDasLaranjeiras.7.jpg*Porque como tudo está a ir «de mal a pior» - e dizemo-lo de experiência vivida -, possivelmente, como se depreende, o que viram em tempos ou há anos era bastante melhor

**E se estiverem na situação de amigos especiais ou donos de um bem patrimonial, não imaginam, por certo, o quanto pode ser lamentável

*** Houvesse um care semelhante ao que a RTP com os Jardins Históricos nos tem mostrado, e a Cidade estaria a aproveitar as potencialidades que tem! 

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