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Casamarela

Blog experimental, dedicado a uma ala do Palácio Amarelo de Portalegre. Verdadeira «Casa de Bonecas», onde, seguindo a tradição, há sinais e emblemas de nobreza. Assim: Casa Amarela, Cas'Amarela, ou Casamarela

Casamarela

Blog experimental, dedicado a uma ala do Palácio Amarelo de Portalegre. Verdadeira «Casa de Bonecas», onde, seguindo a tradição, há sinais e emblemas de nobreza. Assim: Casa Amarela, Cas'Amarela, ou Casamarela

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EM PORTALEGRE, no Museu da Tapeçaria...

... estão agora vários desenhos de Maria Keil, feitos de propósito para serem passados a «pontos de lã», que é como quem diz, a obras de tapeçaria.

Numa família como a nossa, cuja regra parece ter sido sempre (?) a do anticonsumismo*  - e em que por isso "nada se perde [porque] tudo se transforma" - agora, tantas vezes, cabe-nos dar novo uso ao que tem sobrevivido**.

Foi o caso de um desenho dos Túmulos de Egas Moniz - o qual, a bem dizer nos mudou a vida (quando, «mandada» por uma orientadora de mestrado, e estávamos à procura das "Origens Gótico"...);

Foi uma História de Portugal (de Barcelos) que usei nos anos 60 para estudar História da Arte para os exames em Belas-Artes;

E hoje, já que a saga continua, é esta graça: ou seja, a coincidência de estar a querer voltar a Portalegre para poder visitar, com calma, algumas das exposições que aí estão, e de repente tenho pela frente uma página de revista, sem data ou outras referências, a não ser um título (que como se vê foi entretanto acrescido das marcas de insectos bibliófagos):

auto-retraro-MARIA-KEIL-2.jpgauto-retraro-MARIA-KEIL.jpg

Num verão em que várias obras das primeiras décadas do século XX, e também do Museu da Tapeçaria, nos estão a interessar, particularmente...

E assim aqui fica um auto-retrato de Maria Keil. Também ele marcado - é o mini-sinal na sobrancelha da artista -, pelos ataques ao papel vindos dos ditos bibliófagos***

~~~~~~~~~~~~~~~~

*Porque é normal encontrar papéis e documentos de um tio bisavô portalegrense (esse sim, para a época um super-consumista!) que comprava todos os livros e revistas que achava que devia ler.

**Do que veio de Portalegre para Lisboa, depois para Cascais... e agora, mais ou menos contextualizado, se o conseguirmos (?), passa à Internet. 

*** Por fim, e em tempos de falta de Acordo Ortográfico aconselha-se a não confundir com bibliofilia (que é, mais ou menos, o oposto de bibliofagia).

Numa Rua de Portalegre...

... um cheirinho Arte Nova

IMG_20190625_130737-B.jpg

De todas as vezes que aqui passo fico fascinada com as florzinhas:

Sobretudo como vão sendo cuidadas já que o sol e as inclemências do clima tendem a degradá-las.

Mas desta vez parei e fotografei, por isso aqui estão

Os nossos posts em sintonia

Quem como nós se lembra de escrever em «várias paredes» (sem ser grafitter), corre o risco de não dar conta do recado...

Assim, de outra parede para aqui,  façam como nós e gozem o que há de melhor

IMG_20190625_123504.jpg

Novelos das cores empregues numa tapeçaria de Maria Keil

 

10 de Junho 2019 celebrado em Portalegre

Uma data muito especial para a cidade, e pelos acontecimentos aí vividos, hoje tornada capital do país, e por isto honra maior* para os portalegrenses.

Num país em que a interioridade pesa, e que, como sabemos, na capital do Alto-Alentejo pesa de mais. Como João Miguel Tavares o tornou completamente claro, num discurso bem articulado, e sem assombramentos...

Parabéns, é bom ouvir frases, interligadas, a dizerem aquilo com que concordamos!

Esperamos que toque fundo, e que alguns dos seus questionamentos, tal como as óptimas intenções de Marcelo R.S. se concretizem. Que o 10 de Junho não seja apenas hoje, e se venha a prolongar.

Com Ética acima de tudo: dando o seu-a-seu dono, com Justiça, sem atropelamentos (ou as falsas promessas) dos poderes instituídos, para um adiar das responsabilidades que lhes competem!

Hoje, num dia em que a meritocracia foi lembrada (por JMT) como uma exigência dos mais novos; urgente porque tarda - se é que o país quer mesmo ser democrático? - em vez do "just pretending" do costume, em que muitos reparamos e, mau de mais, conhecemos demasiado bem...

Dizêmo-lo, estamos a escrever, sem esquecer a casa que herdámos em Portalegre -  que é por acaso um Ex-Libris da Cidade - e da qual «tomámos posse» em 2014, por direito**. Mas que antes teve que ser reclamado e exigido, já que a autarquia estava distraída, ou a querer esquecer-se...

Assim como esteve distraída, enquanto nas principais escolas e universidades do país (UL, UC, UP) os valores do Património Cultural e Arquitectónico vinham a ser ensinados - com cursos criados propositadamente para esse efeito - desde meados dos anos 80!

Ou seja, é isso que pensamos (e defendemos com veemência), não se pode ser cacique local, sem se querer ser, simultaneamente, elite local***.

Et pour cause ... (achamos nós) ... noblesse oblige !

Mais, foi assim que procedemos relativamente a um bem que é privado (a nossa parte do Palácio Amarelo de Portalegre), mas que publicamente, como sabemos  - eu sei - também pertence à afectividade/amor de todos.

Ou seja, é por isso que dizemos: "noblesse oblige".

Nós, arquitectos e conhecedores de uma grande série de realidades, iríamos deixar cair, a parte menor do Palácio Amarelo? Nós, os mais preocupados com o verdadeiro sentido (também moral) da palavra edificante, iríamos entregar aos Edis e à Edilidade (que não sabem, talvez porque são assim designados?) deixarem cair a parte que herdámos de um monumento que tem representado toda uma cidade?

Pois aqui está em fotografias da fachada Poente, o que recebemos, depois da CM de Portalegre ter sido inquilina durante quase 50 anos (com o estado a que casa chegou...), e o que nos empenhámos para inverter a degradação.

Porque naturalmente um arquitecto sabe - sim alguma coisinha eles sabem/nós sabemos... - do valor cultural e afectivo do que é chamado património 

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Acima, nas fotografias de 2013, o estado em que estava a fachada Poente, coberta de heras - que chegavam a entrar pela janela da cozinha ao lado da chaminé - mostrando a incúria total da parte da entidade inquilina, que foi desde meados dos anos 60 a Câmara Municipal de Portalegre. Inclusivamente a janela da cozinha estava completamente destruída pela força invasiva da vegetação. Como se fosse na Amazónia!

Na última fotografia o estado em que veio a ficar depois de obras mínimas, as quais foram sobretudo pelo exterior, já que ainda hoje no interior se mantêm o desconforto e os estragos (porque nada foi reposto...) como deixado pela entidade inquilina.

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*Honra maior, ou até felicidade?! (como mostravam as suas expressões...)

**Depois de já estarmos a pagar impostos há 2 anos, e com a autarquia a fazer-se de desentendida. Quer relativamente à data em que devia ter devolvido a casa, quer ao facto de a ter emprestado a outros; quer ainda pelo péssimo estado em que a devolveu. Ou, quer ainda pelas rendas que não pagou...

Portanto as questões da meritocracia, ou as dos desígnios de Justiça - com o fim da corrupção, e uma chegada urgente da transparência - não são apenas questões  dos litorais do país, pois também emergem no interior, por mais longínquo que possa parecer.

***Enfim, se alguém quer ser cacique local, e localmente decidir tudo, pois que não o esqueça: que hoje o mundo é global. E que «qualquer cacique» - que o queira ser, assumidamente -, vai ter que se justificar. Vai ter à perna não só a geração dos mais novos - "que não mais põem molas no nariz para evitar pivetes fedorentos"  (sejam eles irreverentes ou não); mas vai ter também que contar com a geração dos mais velhos: Dos que cada vez mais têm à sua disposição, não apenas um bom-senso tipico (e as suas lógicas de sempre - a sagacidade ou uma sageza próprias dos que já viveram mais); para exigirem que as boas normas, e sobretudo as LEIS do PAÍS se cumpram.  

Ser cacique, no futuro, é ter que saber ser, e estar,  como os governantes da época que se designou do Iluminismo. Para se ser dirigente local, terá que ser para fazer o bem; e não para estar virado para as malas-artes (contra os cidadãos incautos)! Terá que ser para uma abertura máxima, sobretudo em lugares e terras de fronteira, onde a ligação aos «do outro lado» (numa Europa de regiões) cada vez mais deve procurar ser inclusiva: Terá que ser inspirada em Humanistas, como por exemplo foi Cosimo de Medici (no século XV), em Florença

Portalegre fica bem nesta foto...

...pois tem exemplos que são de grande riqueza.
Embora muitos não se lembrem ou dêem por isso, talvez quem esteja meio de fora, como nós, consiga ver mais...?
Assim no facebook, para além de outros exemplos (de Cascais e de Idanha-a-Velha) esteve este que há dias se lembrou:

varanda_portalegre.jpgE um outro mais escondido, mas que é talvez ainda mais bonito e valioso?

Varanda-quadrifolios.jpgLamentável é que à volta destas duas peças, os enquadramentos que são as janelas e as paredes, ou os fios eléctricos - mas até as proprias grelhas mereciam ser restauradas... - não estejam no seu melhor estado.   

Sobre o tempo que não há...

... para posts que estão bastante adiantados.

 

Mas adiantados apenas em rascunho, faltando a redacção, a correcção, as notas que se querem certas, etc., etc., etc.

E depois, felizmente, ao fazer (isto é, ao escrever) há também o inesperado. Porque ao estar com as mãos na massa, ou mentalmente a pensar e "...a desenhar um silogismo" (!?) há quase sempre novas ilações que nascem - como se fosse uma metodologia (semi-experimental); um Arts & Crafts aplicada à escrita, pelo facto de se estar a juntar ideias que, até agora ainda não as tínhamos visto, pelo menos dessa maneira, juntas (e quantas vezes não passam a ficar/ser muito mais ricas!?).

Assim há que esperar, se quiserem, por posts que estão no forno, ou numa cabeça, que - Deo gratias - às vezes ferve!

E neste caso (sobre a imagem abaixo e o muito que ela nos diz), já não «tão fervente», porque já lhe dedicámos algun(s) posts:

A um tipo de elementos arquitectónicos - grelhas sobre muros, guardas de varandas, divisórias... -, feitas a partir de iconografia medieval. Em chapas de pedra perfurada, ou até já moldadas em betão, e ainda as que foram feitas em tijolo, industrialmente.

Trabalhos que exigiram uma certa delicadeza na fabricação, mas que valeu a pena.

Pois criaram algo inovador, mas também capaz de (conceptualmente) nos transportarem* para as principais motivações e uma vontade muito concreta de «fazer Arte»**.

Em Portalegre há alguns exemplos, e o desenho seguinte é (para nós) parente próximo de um caso que consideramos fascinante!

Que a a CM Portalegre o trate como merece, é o que aqui se deseja!

Image0156-c.jpg

Imagem vinda de Classical Architectural, a Complete Handbook, por Robert Adam, com ilustrações de Derek Brentnall. Vking 1992.

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*A nós transportam, de acordo com uma ideia de Beleza vinda desde Plotino.

**Uma volição artística de que escreveu Aloïs Riegl, e também Sigfried Giedion, em Espaço Tempo e Arquitectura (1941). Ou seja, se muitas obras, falantes, foram como verdadeiros Manifestos, numa vontade de transmitir alguma(s) ideia(s) dos seus autores, ou promotores; o que se pode verificar é que a maioria das vezes não se limitaram a ser «cartazes mal-amanhados» das referidas ideias, sendo realizadas de modo a poderem produzir, ao mesmo tempo, um certo impacto visual, granjearem simpatia e depois emoção!

E hoje Portalegre é notícia, em todo o país

Por esta tão triste novidade...

(dada de várias maneiras)

doFacebook-ARTE-MUSEUS-PATRIMÓNIO.jpg

(vindo facebook - Arte, Museus e Património)

Mas cuja principal vantagem, para nós, é dar-nos uma imagem, mesmo vaga, e só por dentro, daquilo que já tinha percebido do lado de fora, ao passar na rua:

Várias vezes em andanças entre a Pensão Nova, na Rua dos Canastreiros, ou 31 de Janeiro, e o nº 15 do Largo Cristóvão Falcão, nesse troço percebemos que algo de interessante estaria por detrás das paredes.

E este outro edifício, é mais uma prova do abandono - e sobretudo da falta de visão (porque há casos em que o dinheiro não faltou...há várias salas de espectáculos feitas recentemente, há duplicações de equipamento, porquê?) - a que chegou a Cidade de Portalegre.

Naquela em que nasceram muitos dos meus ascendentes, e a que fui conhecer para receber, a custo e em ruínas, da CM local, o valor patrimonial/cultural que lhe tinha sido entregue, como inquilina, e natural, forçosamente por se tratar da a edilidade em quem tinham confiança...

Mas voltemos atrás, onde encostado à igreja de S. Lourenço - lê-se nos vãos e respectivos dimensionamentos, assim como pela sua disposição -, tínhamos percebido pela tipologia do edifício, que deveria ser um Theatro? Sim, com th à antiga...

Voltemos por isso ao post anterior, a um côro que será necessário fazer, e cada vez é mais urgente, em prol  do interior, antes que «arda» muito mais!

A biblioteca da Gulbenkian no Palácio Amarelo, nos últimos anos da década de 60 do século XX

Foi para substituir bibliotecas como esta, ou seja numa versão fixa e mais alargada, que a Câmara Municipal de Portalegre alugou a Norberto de Azevedo Coutinho a ala sul do Palácio Amarelo.

Aí se mantendo até 2015, mas nessa data estando já a CM Portalegre a actuar como se a casa estivesse «empresta-dada» e a não pagar as rendas combinadas aos herdeiros do seu senhorio!

Infelizmente, e porque a Cultura continua a ter que fazer viagens altamente penosas, nem que seja no tempo..., que o saibamos, há mais de 18 meses, a actual biblioteca -  instalada no espaço fantástico que é o antigo Convento de Santa - continua fechada!

Se não dá vontade de chorar à maioria dos Portalegrenses, a nós dá, e não é pouco!

biblio-itinerantes.jpg

Mas, claro, isto vai da sensibilidade de cada um...

E foi, com certeza, alguém bastante sensível que se lembrou de criar bibliotecas ambulantes!

 

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