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Casamarela

Blog experimental, dedicado a uma ala do Palácio Amarelo de Portalegre. Verdadeira «Casa de Bonecas», onde, seguindo a tradição, há sinais e emblemas de nobreza. Assim: Casa Amarela, Cas'Amarela, ou Casamarela

Casamarela

Blog experimental, dedicado a uma ala do Palácio Amarelo de Portalegre. Verdadeira «Casa de Bonecas», onde, seguindo a tradição, há sinais e emblemas de nobreza. Assim: Casa Amarela, Cas'Amarela, ou Casamarela

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Dos 8 que estão numa salinha da casa de Portalegre...

Alto lá:

Não são 8 pessoas, são grafismos em volume, moldados em estuque, que desenham «oitos». E estão lá quatro, em pilastras curvas, reentrantes, em cada canto; porque a direito tinham um significado, e deitados quase o mesmo (aqui ver maior). Pois andaria lá perto...

Perto, é como quem diz! Já que, se o 8 seria (para os antigos) uma enorme quantidade - muito mais que 3 ou 5 -, então o 8 deitado, considerado posteriormente o Símbolo do Infinito, seria sempre muito mais (em valor numérico*).

Mas seria-o, sobretudo, noutros sentidos, inclusive no transcendente, pois era uma alusão a Deus.

E não se pense que apenas no Cristianismo, pois para todos os povos do Oriente, a começar no Feng Shui e a continuar na Arte Islâmica, deram sempre grande valor - há quem refira magia (mas não nos parece correcto...**) -, à forma octogonal  

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...aos Símbolos do Infinito

e aos Círculos Trinitários de Joaquim de Flora

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De tudo isso e muito mais andamos nós a escrever

Como podem ver aqui

E lembrando ainda que a imagem acima já esteve noutros posts. Visto que, se na Cas'amarela aparece como imagem barroca, conhecêmo-la também «embebida» no estilo manuelino

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*Em valor numérico e para os «fãs» da Quantidade da Informação. Aliás, e pensando neste ponto tão preciso, como será que esses fanáticos contaram os Símbolos do Infinito que, dadas as imensas polissemias da arte cristã, estão em todas as igrejas?

**No link acima a Wikipédia fala-nos de Vento e Água o que faz todo o sentido. Pois os elementos base da natureza (no Ocidente as Quatro Essências) compreende-se que fossem determinantes - o Ar, Água, Terra, Fogo - para a organização de toda a vida.

Mais tarde, compreende-se que essa humanidade primeira, tivesse percebido algo de mais importante, e que lhe tivesse chamado, ao conjunto, Quintessência.

Chegando, logo depois, a ver nessa Quintessência o transcendente, o metafísico. Mas isto é a História do Mundo, os homens a começarem a pensar e notarem que estavam acima dos outros animais.

É também o início da História de todas as Religiões

∞∞∞∞∞∞∞∞

Há Festa na Penha?

Em Portalegre,

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no Santuário da montanha que nos fascina*?

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E que por isso se quer captar de todas as maneiras, com todas as técnicas, com todas as cores e todas as luzes...

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 Todos os dias

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*Nota:

Só que - e é para os leitores saberem -, quando se desenha, ao optar por um determinado caminho (técnica de desenho ou de registo), no fim pode acontecer que não gostemos do que fizemos. Ou que os resultados sejam inesperados...

Foi o que aconteceu naquela técnica mista que inclui a aguarela e a bic-azul. Para nós o azul já funciona um pouco como as gravuras (ou é dos azulejos..., que se faz a associação mental, quase automática, à definição geral - que é o desenho subjacente - feita a azul?), a lembrar a gravura. E ao desenhar assim, sobre aguarela, no fim este desenho lembra-nos alguns mapas e gravuras antigos que foram contemporâneos dos Descobrimentos (desenhos onde não há azul, mas há P & B, e sobretudo muita cor). Portanto, é para nós puro exercício, ou experiência. Importando-nos pouco se gostamos ou não do que resultou - até porque sabemos que tem erros e uma expressão algo naïf. Preferindo-se, assumidamente, que sirva para a análise do que pode parecer, ou – se precisa de ter alguma utilidade? -, para reflectir sobre aquilo que nos lembra. E portanto, de experiência em experiência, para imaginar potencialidades (que as tem) para outras experiências, ou outros trabalhos futuros?

De resto, e fica já aqui registado (e sublinhado), para não haver confusões: Que não se pense que há da nossa parte – sempre que desenhamos - alguma vontade de estar a criar beleza, ou a fazer bonitos ou bonitinhos: Uma dita "volição de beleza" a que Aloïs Riegl se referiu e outros (como Silgfried Giedon) referenciaram. Nada disso! Para nós o desenho foi sempre um meio auxiliar, para, por exemplo esquematizar ideias, ou para tentar visualizar o que está na mente e não visível. Como uma necessidade...

Pois cada vez que me sento a desenhar, ou que páro para fotografar, no fundo é um verdadeiro páro e reparo  de quem contempla! De quem quer guardar para si, no papel ou na mente, aquilo que tive vontade de captar/desenhar por ser especial. Sei sempre que o modelo ou objecto que tento captar é muito superior (bonito mesmo...) do que aquilo que consigo fazer. Apesar de alguns poderem achar espectacular.

O que agradeço, pois talvez estejam a ver mais do que eu?

Nada politicamente correcta...

... porque a frase seguinte quase podia ser nossa!

 

E relacionado com essa frase acrescentamos uma pergunta:

Que pais com as suas crianças, ou apenas que jovens, que adultos (?), visitaram esta exposição que está em Portalegre?

Como querem «expandir-se», as suas mentes (?): aumentar a Cultura, o Saber? O treino e a vivacidade do pensamento, se não aproveitarem, ao máximo, o (pouco) que lhes é dado? Independente das bases (religiosas ou não...) em que as informações nos aparecem*?

A Cultura, o Conhecimento, a preparação para o futuro, está muito longe de serem apenas - e de forma directa -, os valores Económicos...

Por nós fomos vê-la, a dita exposição, por nos ser muito mais simples e mais fácil, hoje, ver uma exposição como esta, em Portalegre, ao lado de casa.

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[Do que ter que ir a Lisboa, ao lado da Sé, ao centro barulhento e confuso, para a poder ver.]

Claro que, também chegar a Portalegre não é fácil; que isso implica alguma dificuldade, mas estando lá, i. e., depois de gasta a energia da viagem, e do chegar, depois, tudo o que não seja fora, faz-se a pé e muito bem:

Com toda a calma e o prazer que essa calma também propicia. Pode ser um quotidiano muito bom e agradável estar fora do bulício e do burburinho; embora, também, sem perder (nunca) o treino dos ambientes mais agitados (e exigentes de maior atenção e vivacidade).

Em conclusão: Recomenda-se a exposição a quem achar que a BD tem a ver com Cultura e Design

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*Tanto mais que toda a Cultura o Saber (e até o Pensamento), nesta parte do mundo em que estamos e em que vivemos, é/está ainda fortemente ancorada, nas suas raízes cristãs. Para as quais Santo António - doutor da Igreja - não se esgotou nem no tostãozinho que pediam as crianças do século XX, nem ainda no primeiro lugar dos "tronos que se fazem em Junho".

Muitas tarefas ao mesmo tempo:

E a mais importante de todas, criar "FORTUNA CRÍTICA"*.

Para que serve essa Fortuna?

RE: Criar riqueza. Ensinar, demonstrar o valor artístico e cultural de uma obra ou objecto.

No caso desta Cas'Amarela, cujas paredes exteriores, vãos e telhados paguei a respectiva renovação e reparação, acontece que no interior ficou praticamente como a deixou a inquilina de mais de 40 anos: a Câmara Municipal de Portalegre

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Numa atitude, e comportamento que não pode deixar de nos lembrar o dito sobre S. Tomás: "Faz o que ele diz, mas não o que faz"!

E mostram-no as fotografias seguintes:

Sucessivas pinturas taparam, propositadamente, o tapete decorativo pintado a fresco que agora, vagamente se tenta (ou consegue?) recuperar.

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Aqui, não sendo canhota - a mão direita é para premir o botão da máquina fotográfica. Depois, com as duas mãos (e quantas mais viessem melhor seria!) ir levantando cuidadosamente a tinta plástica - cor castanho chocolate, bem opaca - mas conseguindo que a camada com a película mais valiosa, por um clic, não vá também atrás, só parando no chão...

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Por isso as migalhas caídas têm (é normal) as mesmas côres do que está na parede...

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Foram dias altamente rentáveis (os primeiros de Julho 2018), de que a flor azul é o melhor exemplo. É que, dadas as características desse pigmento (azul) - não há outra razão? - é por isso uma das poucas flores (azuis), que se conseguiu descobrir mais inteira. 

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Por fim, e não menos importante, o levantamento e a questão da Ênfase - que em geral está associada a um padrão decorativo:

Talvez já não nos lembremos do gosto e de uma certa «mentalidade decorativa», ainda existente nos anos 1960-70 (muito à maneira Laura Ashley!); Mas, na verdade, as repetições - que por vezes até se faziam em escalas diferentes - , ou as escolhas cromáticas que deviam realçar as cores existentes; tudo isso devia contribuir para enfatizar uma «linha padronal», como regra (ou ordem) pré-definida, e fez parte das chamadas Decorações (à antiga**).

Separando o antigo, ou as diferentes épocas cronológicas. Porque a palavra décor, depois artes decorativas e decoração, tudo isto sempre com o mesmo radical, na raiz tinha a ideia de conveniência e de adequação - para alguém, ou para alguma situação específica a precisar da dignidade de uma iconografia também especial (também significante).

Assim, a rede com a forma de losango que está na base do padrão decorativo, é quase uma invariante, desde meados do século XII. 

Ou seja: frequente, sempre presente, em muitas das obras que a História da Arte mais tem valorizado***.

Assim aqui, lembrar que existiu, que edificações como esta de Portalegre (e estão lá tantas outras, também valiosas...) são valores culturais, de tempos que marcaram. Esta é pois, como consideramos, uma tarefa necessária, no panorama culturalmente pobre da Cidade:

Pois por exemplo, um Museu das Tapeçarias de Portalegre, não é, e não foi uma realidade isolada, tendo integrado todo um contexto de que fez parte.  

 

*Palavrão aprendido na FLUL com o Sr. Prof. Vítor Serrão. Mas que os dicionários explicam. Por exemplo, FORTUNA CRÍTICA = "O acervo de críticas sobre obra publicada".

**Coisa que o Design do meio do séc. XX quis contrariar, absolutamente.

***Por exemplo, os vitrais não coloridos (ou monocromáticos) do «estilo quase iconoclasta» que foi defendido por S. Bernardo de Cîteaux (oposto ao «estilo de Cluny» e do Abade Suger, mais exuberante e rico).

Operação ‘Laurus Nobilis’: Ou, inspirada (e divertida) num "noblesse oblige" d’antigamente...

Bom (ou mau?) quase «sem abrigo» mas a dormir sob “nobres ogivas”*, por isso impossível não ser influenciada pelo ambiente que nos rodeia.

Ogivas quiçá setecentistas (?), mas seguramente barrocas!

E também aqui obrigando-nos a pensar, ou a receber a influência, de uma ideia de Philibert De L’Orme. Ele que inventou «um tipo de geringonça», para assim colocar as ditas Ogivas (falsas) em chateaux que já não eram Góticos. E que portanto não tinham essa necessidade estrutural; mas que mantinham a necessidade «de outras precisões»: como a de serem muito enfaticamente, afirmativas, da nobreza do dono da casa...

A lembrar aquela frase da Casa do Visconde da Carreira de Viana do Castelo**.    

Depois deste parêntesis -  e voltando às influências que vivemos (e nos divertem) -  se hoje é o dia de não usar sacos plásticos, o que se espera em breve seja todos os dias, ou que o façamos de futuro com a máxima parcimónia (já que dão imenso jeito...), pode ser também o dia de um maior apelo à natureza! Porque não?

Depois o Laurus nobilis é o comum Loureiro , o das folhas de louro que secas se usam para temperos.

Estamos a oferecer, apesar de (quem passa) nos dizerem “...é inédito, e que nunca se viu ninguém dar nada a ninguém...” Só que, pergunta-se: “hão-de ir para o lixo como os sacos plásticos...!?”

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Estamos a oferecer - sobretudo para o «jardim» não virar matagal/louriçal -, as mesmas folhas e raminhos que foram sinal de nobreza, como aliás prova o seu nome latino.

Assim há que cortar, desbastar, trabalhar...

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Claro que são da mui nobre Família (botânica) das Lauraceae. As mesmas que tantas vezes serviram para coroar os Imperadores romanos. Vitoriosos das guerras que ganharam, dos povos que subjugaram, ou dos territórios que dominaram, assim acrescentando o Império.

Ou seja, os espaços onde hoje vivemos, entre o Atlântico e o Mediterrâneo e onde somos mais ou menos felizes.

Também  mais ou menos irónicos, mais ou menos desaproveitados - entre aposentações e reformas compulsivas...

Desaproveitados mais ou menos, ou relegados em prol de facebooks, internets e outras virtualidades em que alguns nos entretemos...

Mais ou menos urbanos e sub-urbanos, mas neste nosso caso (eu) - sem dúvida - burgueses!

Pois aqui estamos num burgo antigo, na sua periferia, que já foi muito mais central; e num dos mais belos locais (entre o rural e o urbano, no espaço que foi o fosso do castelo) onde nasceu a Cidade de Portalegre.

Divirtam-se!

(que é o que por aqui mais fazemos) 

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*Como lhes chamou William Beckford, e André Parreaux reportou.  

**O Viscondinho que Isabel Stilwell também sabe quem foi. Menciona-o por ter substituído Dietz, o Mestre alemão que ainda fora professor de D. Fernando II, para depois ensinar os Príncipes D. Pedro (futuro Pedro V - mais um dos primogénitos Bragança que morreu cedo de mais...) e D. Luís.

Por cá:

Uma azáfama, imparável!

Depois, ficar a saber que o padrão na parede de uma salinha foi replicado em tapetes de Arraiolos, ou ao contrário?, claro que torna as tarefas ainda mais entusiasmantes...

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Ou seja, acrescenta "Fortuna Crítica" como se diz na FLUL 

Mas há mais

Ou ver aqui

Claro que o Sol todos os dias nasce para desaparecer no horizonte; ou, aqui, quando é o solstício, a esconder-se mais atrás da montanha

São dias especiais, mais longos, com as luzes a demorarem a apagar

Se algumas fotografias estão tremidas pouco importa, é nas cores e na mudança que está o fascínio deste «filme».

Talvez uma das vistas mais bonitas da cidade de Portalegre?

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1ª fotografia às 21h 15m2-DSCN5126.JPG

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E se vamos embora..., ao voltar ainda o espectáculo continua

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Por fim parece que a noite cai, já está acesa a luz na cruz da Penha

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Mas mais em baixo, por um bocadinho, na última fotografia (21ª), ainda havia um resto do dia...

Eram 21h 40m - ou seja mais de 25 minutos a chegar ao escuro total

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