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Casamarela

Blog experimental, dedicado a uma ala do Palácio Amarelo de Portalegre. Verdadeira «Casa de Bonecas», onde, seguindo a tradição, há sinais e emblemas de nobreza. Assim: Casa Amarela, Cas'Amarela, ou Casamarela

Casamarela

Blog experimental, dedicado a uma ala do Palácio Amarelo de Portalegre. Verdadeira «Casa de Bonecas», onde, seguindo a tradição, há sinais e emblemas de nobreza. Assim: Casa Amarela, Cas'Amarela, ou Casamarela

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Viagem: Da «hiperlitoralização» ao que podem ter sido as nossas raízes?

Se ...,

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Sim, se as soubermos ler, porque predominantemente são visuais - e agora se chamam mnemotécnicas - , há um Museu repleto de informações.

Sobre cada um de nós, sobre um país...

E depois da visita a esta casa, muito nos ocorreu: sobre o tempo em que crescemos, raízes e a mentalidade desse tempo que nos formou.

Casa-PoetaJ.Régio.png

Mas o tempo não pára, e outras actividades e tarefas são necessárias. Há que as desenvolver e trabalhar. Por isso hoje fica um registo que pode ser interessante - ainda não sabemos?, é preciso ir à feira do livro (e não apenas para cumprir calendário...) - sobre dois assuntos que também andam no nosso espírito:

Por um lado uma certa proximidade entre a Cultura Alentejana e a Cultura Açoriana (particularmente a da Ilha Terceira, com um culto que se traduziu na construção de Impérios); depois, o regresso à vida mais simples, a um renascer que pode ser riquíssimo, cheio de nuances, sobretudo depois de inspirado pela Casa de José Régio: 

Um entre cá e lá - a que o Palácio Amarelo nos obrigou -, voltar ao campo, e a vidas mais próximas da natureza (sobre um livro que será para ler?)...

E assim também se volta às "primeiras luzes"

RECUP (3) - Teoria + Ferramentas e Utensílios para Restauro

Muitos julgarão que são fáceis e rápidas as operações de recuperação e restauro de obras antigas que o tempo e acção humana levaram a que se degradassem? Talvez?

Porém, quando se vê como são minúsculas as ferramentas para efectuar esses trabalhos, é quando se «cai na real»:

ferramentas e utensílios para restauro

É quando se percebe que com lâminas cujo perímetro - ou área de corte - não vai além de 2 cm, sendo que algumas terão entre 3 a 8 mm, então, é quando se valoriza a imensidão de gestos, e de trabalho repetitivo que há para (ou houve que...) realizar.

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Mas, embora lento o trabalho avança. Com surpresas, neste caso mais (folha de) ouro, onde nunca alguém chegou a pôr purpurina. Vá lá, ... será recompensas para persistentes!?

DSCN7452.JPG

Depois, nem só de gestos e de acção vive o Restauro ou as Recuperações: na mente - como equipamento intelectual (essencial a quem sabe o que está a fazer, para fazer bem) - é essencial que esteja a TEORIA. 

Pelo que se aconselha a melhor bibliografia (da nossa biblioteca mais conveniente):

---->Teoría de la restauración y unidade de metodologia, vol. 1 e  vol. 2, por Umberto Baldini. Editoras Nerea e Nardini, Madrid e Fiesole 1998.

E pode sempre haver mais que vamos reunindo ----> como neste caso

Ou este outro---->vindo do Brasil

(continuação do post anterior)

RECUP (2)

Desde Novembro de 2014 que estamos a recuperar uma parte do Palácio Amarelo de Portalegre. 

Depois de uma primeira fase de obras de maior dimensão - por corresponderem a uma total reposição das estruturas da cobertura (toscos) - resta-nos, paulatinamente, ir recuperando alguns detalhes de maior valor histórico e a maioria dos acabamentos. 

Não deixam de ser muito relevantes as condições em que a CM Portalegre devolveu a casa, nada despicientes - pelo contrário - por tudo o que contribuiu para a sua degradação: uma história que terá começado (feliz?) há cerca de 50 anos, com as bibliotecas da Gulbenkian. Mas que não terminou com o mesmo grau de felicidade: ou seja igualmente promissora para o futuro, quando a Câmara Municipal de Portalegre decidiu aproveitar o espaço do antigo Convento de Santa Clara para aí acomodar, em instalações muito mais amplas, a sua nova biblioteca.

Note-se que esta foi uma óptima decisão, está lá, na Rua de Elvas, ao lado do edifício da CGD um óptimo equipamento municipal. Só que não acautelou os cuidados a ter com o espaço que tinha sido o inicial da referida biblioteca.

O da biblioteca que, por sinal, nascera bem pequenina nos finais da década de 1960, nas instalações localizadas no Lgº Cristóvão Falcão nº 15, e que ainda agora são referidas como «biblio», por algumas entidades e pela população, em que a maioria dos que têm 40-50 anos, conhece o edifício e o frequentou assiduamente em aulas e cursos, até de música.

Depois, a partir da mudança da «Biblio» para o antigo Convento, a CM de Portalegre passou a «negligenciar», militantemente, e também independentemente do valor patrimonial, as instalações da anterior biblioteca. As quais deixou que se degradassem de uma maneira que facilmente se prova: visto que a partir de Abril de 2013 tudo foi fotografado, para que não restassem dúvidas do vandalismo protagonizado pela CM portalegrense...

Por outro lado, também toda a cidade soube que a Casa foi emprestada, como se fosse um  armazém, ao dono de um restaurante local. Idem, sem o menor cuidado, nem acautelando um bem que os senhorios tinham alugado/entregue à guarda da Câmara Municipal...

Claro que para contar a génese desta RECUP (por extenso os Trabalhos de Recuperação em curso) também se poderia ir mais atrás - talvez a 1930? - lembrando a desertificação que o país interior sofreu, em prol de uma hiperlitoralização de que já se escreveu.

Ficam dois «cartazes/manifesto», sendo que o último ficou também afixado no local.

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Nesse último referem-se imagens do interior da Casa Amarela e download de desenhos.

Os mesmos - textos e desenhos - são dedicados a todos os que se interessam pelo Património Arquitectónico, e que por ele nutrem alguns sentimentos, até mesmo afectividade, por terem crescido em contacto com esses equipamentos, que os marcaram desde muito cedo.

Neste blog, como se pode confirmar, existem diferentes tipos de elementos, como são desenhos e varias informações escritas, que assim se tornam abertas e acessíveis, i. e., postas ao alcance do cidadão comum: de todos os que querem compreender a história arquitectónica da sua cidade - Portalegre, do bairro e da rua onde moram. Não que a conheçamos, desde já, melhor do que os mais ilustres e informados portalegrenses; nem pensar, pois é com esses que teremos de aprender!

Mas, porque vindo e estando também de fora - com métodos e analogias que sempre se adoptam e estabelecem quando se quer estudar e conhecer algum destes temas; deste modo os (nossos) caminhos de aprendizagem, que já fizemos ou vamos fazendo, são depois aqui disponibilizados. Como já é este exemplo

ou estoutro de muito maior dimensão e importância

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Entre esses caminhos estão algumas/várias explicações sobre aquilo que moldou (ou desenhou) as formas citadinas: aquilo a que os ingleses chamam townscape - que quotidianamente os portalegrenses vão percorrendo. Não apenas na zona da Sé, do Museu Municipal (antigo seminário), mas de todos os que formos conhecendo e estudando.

Para elementos gráficos, fotografias ou informações que aqui se possam disponibilizar, enviar e-mail para:

bien.faire.et.laisser.dire.gac@gmail.com

Da série: "Você vê coisas que ninguém vê" (que é bem divertido!)

Só que desta vez, é ainda mais  sui generis, provando-se a origem do treino de visão:

Ou seja - quem vê, porque é que vê? E para colocar esta questão, explica-se melhor uma possível resposta:

Que equipamento mental mais específico faz com que ao ver (?) - num «varrimento do olhar» (como a luz pode fazer, imagine-se no escuro o cone de luz de uma lanterna a varrer as paredes limítrofes do espaço em que se está). Imagine-se pois que numa situação semelhante a essa, os olhos não se limitam a passar de relance. como se fosse um qualquer scanner. Mas que ao ver reagem, quando o olhar pára e reparamos nos pequenos detalhes que se tinha conseguido percepcionar?

Exposta esta situação, que mais do possível foi real e nos aconteceu, agora avança-se na explicação do caso sui generis:

Em Fevereiro tivemos que desenhar um azulejo do Palácio da Pena, como se vê abaixo

azulejos-pena.jpgdepois, a partir deste primeiro elemento repetiu-se, e assim se formou um padrão:

azulejos-pena(2).jpgHá dias - foi fascinante (mas também intrigante?), descobrir esses azulejos, e o padrão formado, numa montra de Portalegre: concretamente na sede do PCP.

As fotografias mostram os caixilhos do vão em madeira pintada; depois os reflexos no vidro nem sempre permitem uma óptima visão dos enchalços (no interior desse vão). Que são revestidos com os referidos azulejos, quase iguais aos de Sintra

E perante esta visão, claro  que uma série de questões passou a estar na nossa mente. Como por exemplo:

Mas como vieram aqui parar? Ou, a outra pergunta óbvia: Então estes azulejos (da Pena) - que julgávamos únicos - não foram feitos apenas para o Palácio de Sintra? Terão sido extraviados para aqui, para Portalegre? E em que data?

Ou foram repetidos mais tarde?

Ou, talvez a hipótese mais provável - mas esta retira alguma «unicidade» ao Palácio da Pena, e aos nossos olhos acrescenta «valor patrimonial» a este espaço onde está instalado o PCP - D. Fernando II e os seus projectistas (particularmente o arquitecto Possidónio da Silva), escolheram no mercado um modelo e motivo azulejar já existente? Escolheram-no e «simplificaram»?

Tudo é possível (!), mas interessantíssima para nós é esta quase «coincidência/descoberta», que também permite notar diferenças, mínimas, entre os azulejos de Sintra e os de Portalegre.

Bem divertido sim, o "você vê coisas em que ninguém repara"

Thanks God!

Com fotografias, para se poder comparar a evolução da degradação: que apesar da protecção já dada é (sempre) um processo em evolução

Quando em Abril de 2013 se pediu à Câmara Municipal de Portalegre que devolvesse a casa de que tinha sido inquilina e a qual entendeu emprestar a um comerciante da restauração dessa cidade, não poderíamos prever que essa devolução iria levar mais de um ano a concretizar-se...

Também que iria ser necessário fazer intervir um advogado, para que a mais que justa pretensão se viesse a concretizar. Só depois de mais de um ano a enviar correspondência, é que por fim a devolução aconteceu. E mesmo assim, foi ainda necessário que gastássemos bastante tempo a dirigir a evacuação dos trastes (e materiais de arquivo) que o município se preparava para abandonar. 

Até agora, e de acordo com o que consta na lei, muitas das alterações que os inquilinos podem fazer, ainda não foram repostas como estavam, quando a Biblioteca se instalou no imóvel.

Esta história - e também a Cultura Patrimonial inexistente, como é cada vez mais visível na parte maior do Palácio Amarelo de Portalegre (no nº 13 do Largo Cristóvão Falcão) - não pode deixar de nos lembrar o blog Ruin'Arte, e os esforços de Gastão de Brito e Silva.

Que ao fotografar centenas de Ruínas nos mostra a sua beleza: não apenas a das fotografias que faz e trabalha para as tornar mais impressivas, mas também a beleza original, que assim fica realçada, dessas edificações! Aliás, a partir da sua selecção é impossível não perguntar, qual a razão para que óptimas obras de arquitectura tenham sido abandonadas à sua sorte?

Sorte que, é maneira de dizer, pois é sabido não é nenhuma: É azar!

Pois a natureza e «os elementos», não são propriamente clementes ou protectores daquilo que lhes é estranho, ou é artificial! Mais, os jardins e o paisagismo inglês a partir de setecentos provam bem a necessidade de intervenção - mesmo que cuidadosa e cirúrgica - na natureza.

Assim, construir e não cuidar, em sucessivos trabalhos de conservação e manutenção; ou seja, abandonar o edificado à sua sorte, é, pode-se dizer, o mesmo que maltratar propositadamente!

De igual modo, depois de iniciado um processo de ruína, é muitas vezes dificil ou até impossivel trava-lo. Algo que fomos comunicando à CM de Portalegre, quando a partir de Abril de 2013 nos foi dado conhecer o estado em que a casa estava, e a impossibilidade de se intervir urgentemente!

 As fotografias acima - foram feitas exactamente 3 anos depois das que estão num post anterior (rever e comparar); servindo para demonstrar como é praticamente impossivel, só com a proteccção adequada, e sem um restauro complementar, conseguir interromper um processo de ruína já desencadeado...

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