Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Casamarela

Blog experimental, dedicado a uma ala do Palácio Amarelo de Portalegre. Verdadeira «Casa de Bonecas», onde, seguindo a tradição, há sinais e emblemas de nobreza. Assim: Casa Amarela, Cas'Amarela, ou Casamarela

Casamarela

Blog experimental, dedicado a uma ala do Palácio Amarelo de Portalegre. Verdadeira «Casa de Bonecas», onde, seguindo a tradição, há sinais e emblemas de nobreza. Assim: Casa Amarela, Cas'Amarela, ou Casamarela

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

A vontade de preservar o Palácio Amarelo não foi nossa! Só que, quando chegámos (para fazer alguma coisa..., no Verão de 2014) já estava tudo bastante destruído

SIPAImage.aspx.jpg

E, sem dúvida que a Câmara Municipal de Portalegre foi sempre tendo conhecimento do que se estava a passar?

Página vinda de: http://www.monumentos.pt/Site/APP_PagesUser/SIPAArchives.aspx?id=092910cf-8eaa-4aa2-96d9-994cc361eaf1&nipa=IPA.00003211

Note-se ainda que o site Monumentos disponibiliza bastante mais documentação (muito) cabal para ajudar a esclarecer o que se foi passando ao longo do tempo: 

A evidenciar os cuidados dos locais com um dos seus monumentos...

(legenda & ampliação)

Em Portalegre, Cidade...

Se os nossos outros blogs - primeiro criados, Primaluce e Iconoteologia - são dedicados a várias teorias sobre o ver, e o que contêm muitas das imagens que vemos, e em especial o que vemos na Arquitectura, já este, Casamarela, é dedicada ao ver em Portalegre.

Porque na cidade há imenso para ver: primeiro, e como significa a palavra Primaluce, antes da cidade ter sido construida, havia o sítio, e a sua relação com o Sol (chame-se exposição solar ou orientação...), o qual é um privilégio como já se mostrou em vários posts.

Depois, terá havido, na sequência do Foral dado por D. João III, a ideia do lugar e porto alegre. Na Escadaria do Palácio/Casa Amarela, apesar de toda a desvalorização feita, e de toda a degradação infligida a esse edifício, lá está, ainda registada em moldura barroca (portanto com vontade de criar obra que fosse para perdurar, sobretudo muito monumental) a frase: "ouvrage riant".

Ou seja, a obra que ri.

E de facto, na Cidade, não fora a depressão e o desinvestimento (industrial), e estaríamos perante um lugar que, em parte, nos lembra Sintra e a sua Paisagem Cultural, assim classificada pela UNESCO. Ou, que lembra também Évora....

Acontece que Sintra é obra, primeiro de D. Dinis, mas depois, principalmente do Romantismo. Dos turistas que à distância seguiram os ingleses, como De Visme e William Beckford; depois tal como D. Fernando II, na sua procura por lugares, onde houvesse ares "similhantes" aos das suas terras.

Já Évora, por um outro tipo de centralidade (e funcionalidade) no território geográfico, sempre se manteve habitada, sem que sofresse a desindustrialização e depois a desertificação (recente) que houve em Portalegre, no último século.  

É que olhando para a história, Portalegre teve um imenso desenvolvimento, contínuo, durante séculos, e edifícios como o da Câmara Municipal (antiga) - logo ali ao lado da Sé, e evidentemente a própria Sé; ou também ainda o edifício do Seminário, que é hoje Museu Municipal; essas edificações evidenciam, num ambiente que como já se escreveu nos lembra Itália, uma riqueza antiga, cultural, e portanto também a presença humana, criadora de diversas «ambiências».

Assim, que a ideia de que Portalegre está na moda, seja mais do que uma frase bairrista, ou dita para dentro, e para consumo interno: qual «auto-colocação» numa Movida que, se existe (?), é praticamente insensível, aos que não estão ou não se deslocam à cidade! (é que de fora, ninguém ouviu falar nisso...)

DSCN8547.JPG

O que se deseja: é que Portalegre fique mesmo na moda!

Que se respire um espírito de verdadeira abertura e urbanidade, dirigida aos locais, e aos turistas: os de meia-idade, cultos - que os vemos passar e com quem já temos conversado..., que se deslocam à procura de um Portugal tradicional e genuíno, que existe, mas que (sabe-se lá se tímido, degradado ou sem auto-estima?) pouco se mostra*.

Ou pouco aproveita «desta onda» que, segundo (nos) parece, continua a formar-se e a passar.  

Que a hiperlitoralização do país seja substituída, como já foi pronunciado por alguns governantes, por ondas - não de água nem salgadas -, mas de dinamização das cidades e das terras que outrora foram consideradas fronteiriças.

Que se concretize, ao longo - ou por perto, o mais possível! - dessas linhas de fronteira, uma vontade de abrir e desenvolver. Já que, estão bastante mais perto de vários centros/cidades europeias com as quais podem estabelecer trocas, culturais e económicas.

Que as pessoas, os locais - sobretudo os MAIS JOVENS -, sejam educadas, ensinadas e promovidas para estarem à altura deste desafio. E para que no durante, e no depois, dessas acções mobilizadoras que são necessárias, sejam os maiores beneficiados do salto ou impulso que a cidade deve (deveria) querer dar, urgentemente. Também no sentido de não ser necessário ir para fora, para se valorizarem. Que a Cidade e a região se inovem, como portadoras de futuro! 

*Desperdiçando até as sinalizações urbanas que a própria edilidade, em jeito de publicitação, coloca junto dos seus monumentos (fechados!)

Vindo de quem sabe o que são Ruínas

Ou seja, de um sábio Ruinólogo

 

Se no século XIX John Ruskin amava as ruínas, e em especial as que tinham muitas heras*; no nosso caso, e apesar da beleza que esses revestimentos conferem às edificações, claro que detestamos as heras.

Em Portalegre, n' «a Ruína que nos saiu» (qual rifa...!), a Câmara Municipal, há décadas instalada na casa, desconhecia a existência de um logradouro, dos seus habitantes, e de todas as heras que estavam a entrar casa adentro, ... pelas janelas.

Também da água que entrava pela cobertura?

DSCN8505.JPG

(ler legenda, perceber a razão desta imagem)

*Note-se que o "amor de Ruskin pelas ruínas" veio a fazer dele um caso na História da Arquitectura, ao tornar-se um dos principais teóricos da conservação e preservação das obras mais antigas e valiosas. Defendia exactamente as medidas de conservação, aplicadas o melhor possivel (o que implicava também o máximo cuidado desde a obra inicial), para que um dia não fosse necessário fazer restauros.

Este vício de ver, e querer registar, aquilo de que se gosta

Em Portalegre, janelas lindas, mais os seus reflexos, que por vezes lembram «aguarelas ficcionadas»...

 ...no entanto, são realidade!

 

E ali, vista das janelas, à nossa frente uma imensa porção de céu, sempre fascinante

De uma casa que está no centro da cidade e também na sua periferia, fotografar a paisagem -  cuja variação, geralmente, depende do clima, e é a imagem do céu; esse registo é muito mais do que um fascínio, e torna-se um vício.

Maio 2017

 

 

   

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.