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Casamarela

Blog experimental, dedicado a uma ala do Palácio Amarelo de Portalegre. Verdadeira «Casa de Bonecas», onde, seguindo a tradição, há sinais e emblemas de nobreza. Assim: Casa Amarela, Cas'Amarela, ou Casamarela

Casamarela

Blog experimental, dedicado a uma ala do Palácio Amarelo de Portalegre. Verdadeira «Casa de Bonecas», onde, seguindo a tradição, há sinais e emblemas de nobreza. Assim: Casa Amarela, Cas'Amarela, ou Casamarela

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O que, seguramente, aqui (na internet) estamos a fazer desde 2010...

... é uma coisa que nos dá imenso prazer! E isso vem do facto de ter a certeza de estar a fazer algo de bom. Mas será que é, mesmo bom...?

Poderão dizer alguns que "presunção e água benta cada um toma a que quer...", e claro que sim, pois o auto-convencimento, essa presunção, é verdade, cada um presume (ou não presume), em função de si, da sua coerência, da sua mente, e até mesmo, é o mais apropriado dizer, da sua humildade.

Mas vamos adiante sem nos perdermos: é que mais do que encontrar por aí - nalgumas bibliotecas fora de Portugal o trabalho que fizemos a propósito de Monserrate, por exemplo, é ler um catálogo do Soane Museum, e ver como o nosso trabalho «anda lá perto»*: nos temas tratados - a arquitectura setecentista - mas também, pontualmente, na qualidade que conseguimos pôr nas nossas investigações.

Foi ver, há uns bons anos na Somerset House (Londres), uma exposição que tinha a ver com Horace Walpole. É ainda pegar num livro que - discreto, mas lindo... - foi coordenado por Dana Arnold e nos dá fantásticas informações sobre a georgian villa.

É hoje o gosto (mas também o enorme peso, a responsabilidade!) de ter uma «quase georgian aisle», que durante algum tempo vamos cuidar, e preservar, tanto quanto possível**.

E voltando à presunção e à água - que é toda benta por ser preciosa - vamos tendo a sorte de a poder beber, já que ainda não estamos num deserto. Depois, que a saibamos repartir por todos os que têm sede. Divisão que é um acto de cuidar dos outros... (caso se interessem)

O que nos lembra, aquilo que há muito pensamos e questionamos, várias vezes. Desde o amor aos outros, ao amor à cultura e ao conhecimento: que graus, que escadas? Que diferentes níveis de valorização num tempo em que todos os valores andam tão baralhados? É ainda um enorme prazer, e deixámo-lo registado sobre o Palácio de Sintra, poder estabelecer paralelismos, fazer deduções - e enfim pensar - numa obra que está aqui em Portugal, a anteceder exemplos que são característicamente londrinos.

O trabalho de Tristram Hunt (...The Victorian City...) reflecte este tema, mas também muitos outros... E pensar que por aqui Maria Amália Vaz de Carvalho há cerca de 100 anos também ela aludiu a Ruskin, enfim, é pensar que há referências que alguns de nós podemos continuar a lembrar.

SoaneMuseum-2007.jpg

Porque há saberes que levamos, e outros que felizmente trazemos de Portalegre, e no caso do Palácio Amarelo, a certeza de que a grande escadaria se inspirou na Cerâmica Wedgwood (azul acinzentado - a camada que subjaz debaixo do azulão da cal, na fotografia).

DSCN8077.JPG

Como particularmente aconteceu em Inglaterra, pela mão e pelo risco de muitos arquitectos que então eram chamados Amateurs: como terá sido, provavelmente, o mencionado Ignatio Caldeira.

18806114_zM11H-b.jpg

*Ver - A Passion for Building: the Amateur Architect in England 1650–1850

An exhibition at Sir John Soane’s Museum, London, 18 May to 1 September 2007. 

Uma paixão que podemos dizer ultrapassa a mera posição professional, e lembra a postura dos arquitectos ingleses de 1700, que ainda não o sendo profissionalmente vieram depois a estar na génese daquilo que é hoje a nossa profissão  

 **O que aqui se passa - Casa'marela - nasceu em http://primaluce.blogs.sapo.pt/ e http://iconoteologia.blogs.sapo.pt/.  E surgiu a propósito de um outra casa que nunca mais vamos esquecer, nem largar a ideia:

NECDOMUSDOMINUS, SED DOMINO DOMUS, HONESTANDAEST

(Não é o Dono que deve ser honrado pela Casa, mas a Casa pelo Dono).

Por fim lembrar que há em Portalegre alguns exemplos de edifícios marcados por uma certa influência inglesa, como acontece em Lisboa ou no Porto. Embora poucos ou nenhuns (portalegrenses?) se interessem pela questão...

De um tecto - o da Sé de Portalegre (da cidade que dizem ser Barroca) - ao «alisar» das formas arquitectónicas*

Na Sé Catedral desta cidade não se pode fotografar.

É mais do que lamentável, embora se perceba que com os telemóveis muito polivalentes que hoje muitos temos, os registos fotográficos ficam facilitados.

Assim, à socapa ou não (? já que Deus tudo vê, e estávamos dentro da igreja...), um dos registos mais bonitos que aí fiz foi da capela de S. Pedro. Já se mostrou, e eu própria fiquei surpreendida com a qualidade da imagem:  por alguma profundidade de campo (a fotografia foi feita à distância), estando tudo em foco, quer nos planos mais à frente e ainda nos que estão mais atrás; mas sobretudo, porque o modelo fotografado (a referida capela) é muito bonito.

(excerto Capela de S. Pedro)Sé-Capela de S. Pedro

Acontece que connosco, muitas vezes fazemos à antiga. Se não há fotografias, então esquematiza-se ou desenha-se!

Portanto, no desenho seguinte, usando as costas de um bilhete que andava na carteira, o mesmo serviu para um registo rápido:

ESBOÇO-TRAMO-SÉ-PORTALEGRE

Nele estão, como se pode ver, os mesmos losangos de lados curvos e côncavos, que também estão em Monserrate, na grade de um ou vários portões. Claro que nesta casa de Sintra - dita revivalista - já as formas estão lá, só a reviver e a decorar.

Porque já não é uma decoração enfática e afirmativa de algum sentido, ou alguma ideia, como se vê nas obras medievais:

É que esses LOSANGOS CURVOS, por vezes também designados LISONJAS, e tão frequentemente usados como «contentores significantes» - para aludir a Nossa Senhora -, em Monserrate eles são meramente decorativos, sim!

Mas são-no, com o sentido contemporâneo (e muito mais restrito) da palavra decoração. Dir-se-ia que são algo como uma animação visual, para não ficar vazio... 

Por fim, lembre-se, que foi este sentido decorativo, o inicial, que ao estar perdido fez com que (o arquitecto) Adolf Loos associasse Ornamento e Crime.

loos 001-b.jpg

No que se veio a tornar um Manifesto, o qual por sua vez deu origem (ou abriu a porta?) ao «despir e ao alisar», crescente, da Arquitectura feita daí em diante. 

Num próx. post, a contracapa deste livro, e aquilo que A. Loos, mais tarde considerou ser consequência do seu trabalho. Ler, indo por aqui

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*Pode parecer pretensioso, como se neste post tão curto pudesse caber tanto! Só que, e sendo talvez um post repetido (?), hoje, de certeza, numa outra perspectiva: i. e., a incluir  um «curto-circuito» que apeteceu fazer, por estar tudo à mão, como está o livrinho de Adolf Loos. Por outro lado, é bom que as pessoas de Portalegre - embora esta cidade esteja menos divulgada e seja menos conhecida do que Évora -, que tenham a noção de que há em PORTALEGRE valores que são únicos, irrepetíveis e muito originais!

Olhar e Ver

Já escrevemos sobre isto, várias vezes.

Pois quem olha, nem sempre vê.

Em Primaluce temos agora uma imagem - grade no Jardim de Monserrate - que algumas das partes que a compõem (desenhos feitos em metal) estão também no Tecto da Sé de Portalegre.

P1010089Monserrate.jpg

Vejam e comparem. Tentem descobrir a que forma(s) nos referimos?

Por vezes as formas desenhadas são mais legíveis... Mas não é este o caso: aqui a acuidade e o esforço da tarefa visual (alguns até podem precisar de óculos) são mesmo importantes, pois a grade é verde e o fundo também, obrigando a fazer uma distinção entre a forma e o fundo...

Depois, claro, serão também importantes as comparações, no interior da mente de cada um, com os registos existentes na memória, das formas geométricas que cada um já tem.

Ou seja, depois da tarefa física-biológica do ver (isto é do sentido da visão), há um trabalho intelectual a fazer, o qual muitas vezes é designado imaginação. Neste caso, a construção mental, relembrança, de imagens eventualmente já vistas:

Noutros lugares, ambientes e contextos diferentes

Divirtam-se passeando em Monserrate, em Sinta: "...et Bonne Chance!

A 'Rentrée' de 2017 e o Ano Novo 2018:

Os meus queridos amigos de Portalegre, os que passámos a ser desde que em 2014 nos conhecemos, porque uma parte do Palácio Amarelo, «em estilhas», me caiu nas mãos... (e até porque já estava a pagar impostos, sobre «um bem» tão bem destruído...).

Casa devolvida assim pela CM de Portalegre, que durante perto de 50 anos aí se manteve «a degradar» o referido valor patrimonial...

Pois esses queridos amigos, que simpaticamente agora sempre desejam óptimas férias, boas festas, feliz ano novo. Talvez eles não saibam como de repente, a partir de 26 de Outubro 2017, a Rentrée deste ano se apresentou repleta de assuntos e motivos muito interessantes.

Continuamos assim, portanto, a retardar um post sobre a Elipse que J. Képler pôs na ordem do dia, para a Iconografia Cristã, e que também assim passou à Arquitectura; já que são imensos os temas que nos interessam.

E Portalegre não foge a esta regra, pois deu-nos, e confirmou, muitas das nossas hipóteses (que seriam as de um doutoramento); evidenciando as questões em torno do Espírio Santo, e da imagética que, ao longo dos tempos se produziu - como André Grabar prova, para a Terceira Pessoa da Trindade (cristã). E que hoje, nas Artes Visuais da Cultura Ocidental, só é identificada se estiver presente uma Pomba.

Mas enfim, foram muitas, e são ainda para imensos cristãos, «as referências cultuais» do cristianismo. Apesar de cada vez mais pobres e crescentemente mais escassas, são ainda imagens de cultos (cada vez mais) esquecidos, perdidos, desvalorizados!

E se ainda há quem perceba o espantoso design do Claustro da Sé de Portalegre, com os seus espelhos elípticos, de um tempo entre Barroco e Neoclássico, também há quem saiba das Ogivas que em Portalegre são chamadas Artesãos. E que depois de muito ampliadas (ver imagem)

2013-04-06 16.33.49.jpg

podem deixar reconhecer que essa representação, muito naturalista, do Espirito Santo, se tornou quase exclusiva (ou também ainda emblemática?)

2013-04-06 16.33.49-c.jpg

Nas imagens de cima - na Igreja do Espírito Santo (Portalegre); em baixo - no Tecto da Sé (Portalegre), num emblema que pode lembrar a bandeira inglesa. Só que eram os Ventos, ou Pneuma (palavra de origem grega), de uma Rosa dos Ventos a que várias imagens do Espírito Santo, forçosamente, sempre ficaram associadas.

Tecto-Sé-Portalegre-RepresentaçãoES.jpg

E se a representação mais conhecida do Espírito Santo em geral foi a Pomba, na cidade de Portalegre, aqui e ali, nas janelas e nas paredes (incluindo o espaço em que durmo...) há outras iconografias e alegorias, que proliferam, para lembrar a Terceira Pessoa da Trindade.
O que também nos lembra os Açores, a Ilha Terceira, o Culto do Espírito Santo, os Rebuçados de Ovos...

Mas enfim, perguntarão, o que tem tudo isto a ver, com a Rentrée de 2017, com o ano de 2018, e com os amigos do alentejo?

Re: Com a nossa falta de tempo!

É que estão por aí, abundantes - será de propósito (ou é demasiada a inspiração que nos chega...?) -, uma série de eventos que colocam questões que não podemos, nem queremos, ignorar!

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