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Casamarela

Blog experimental, dedicado a uma ala do Palácio Amarelo de Portalegre. Verdadeira «Casa de Bonecas», onde, seguindo a tradição, há sinais e emblemas de nobreza. Assim: Casa Amarela, Cas'Amarela, ou Casamarela

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E no Fb em 29.08.2021 acrescentou-se:

Ainda não esquecemos o homem de letras, que há dias encontrámos em Portalegre. Tanto mais que nos desenhos dos «caracteres alfabéticos», o autor pôs algumas intenções, e, claro, os maiores cuidados

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OUTRA foto para ser vista em ampliação

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Por fim, o assunto que mais nos interessa ampliar, neste caso não tanto como ICONOTEOLOGIA - visto que desconhecemos (se as houve?), algumas ideias associadas aos «floreados e enrolados» nos ferros forjados das chamadas 'rexas' ou 'rejas' de que escreveu Luís Keil, em 1943, no Inventário Artístico de Portugal, vol I, Distrito de Portalegre.

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Na verdade os referidos trabalhos de metal aparecem-nos como elementos funcionais - dividem espaços, protegem, etc. - mas, para além disto, nas suas formas, não se pressente qualquer valor significante, que esteja para além do ornamental

“Encounters”: que neste post são diálogos entre obras de tempos (e tipos) diferentes

Daqui, da Casa Amarela em Portalegre partimos à descoberta.

Quer da própria Casa conhecida sobretudo por Palácio Amarelo – cuja descrição mais completa (e a melhor, pelo menos que se saiba?) está no Livro Genealógico das Famílias desta Cidade de Portalegre*. Mas também à descoberta dos detalhes arquitectónicos, e dos ornamentos muito específicos, de uma obra que tem características únicas.

E entre outras artes, nesses detalhes praticamente irrepetidos (mesmo que existam semelhantes feitos séculos depois); entre esses, é verdade, tem sido dado maior destaque, pela originalidade, aos trabalhos da Arte do Ferro, os quais foram descritos por Luís Keil em 1943, no Inventário Artístico de Portugal:

“Ferros trabalhados tão característicos do Alto Alentejo decoram as grades dos pavimentos térreos ou as varandas dos andares nobres” 

Algumas vezes estes são conhecidos por rexas, mas é mais comum a palavra “rejas”:  

É a designação dada a um tipo de trabalho em que o malhar do ferro, a frio e a quente, foi por aqui, desde o século XVI, uma actividade relevante. Implantada no interior do país, na região transfronteiriça, como agora dizemos; ou, nas palavras de Luís Keil:

“... é possível, senão provável que as reminiscências do pais vizinho influíssem na arte do ferro nesta região, da Andaluzia e da Estremadura espanhola, os exemplos serão muitos e bons e as afinidades manifestas.”

Foi por isto mesmo, quando andando nós com os ditos trabalhos de ferro forjado na cabeça, assim como, com os desenhos e com a iconografia que está em grades de Portalegre (a mesma que, quase paradoxalmente, também aparece em trajes reais**). Foi assim - com este espírito, e com estas ideias - que num passeio fotográfico tão recente, nos deparámos com “Um Leitor de Portalegre”.

Claro que o fotografámos, e logo ali ficou baptizado “Leitor de Portalegre”, em função disso que parece ser

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Completamente alheado da envolvente, e tão absorvido como está na leitura de um dos seus livros, que, parece, talvez nem ele tenha dado pela nossa curiosidade.

Curiosidade vinda do facto (daí o espanto!) de também ele ter um traje falante.

E ainda por cima, coincidência, também de metal a ponto de lembrar - trazendo à mente - o retrato de D. Sebastião, e o que dele escreveu J.-A. França***.

Insiste-se: claro que esta obra do século XXI também é, propositadamente - pois tenta sê-lo, como é evidente - «um traje falante».

Embora neste exemplo a que chamamos «leitor portalegrense», já não estejam os ideogramas antigos, com que os reis eram sempre representados.

Aqui, e porque esses ideogramas são  vistos hoje como formas insignificantes; assim, para poder aumentar algum sentido significante, ou se poder entender/ler alguma mensagem? – o fato de que está vestido o tal leitor, está repleto de letras. 

Letras que formam palavras, que nos dão pistas. Quase como uma «charada»:  i. e., com a obra a exigir esforços razoáveis de interpretação.

 Ou, fazendo a analogia com as obras medievais (de que escreveram Henri De Lubac e outros teólogos), são obras que exigem do leitor algum raciocínio: dir-se-ía, quase como «exegeses»...    

Não sabemos ou captamos o seu sentido exacto, mas, que importa? Se consegue ter força, ser referência e marco visual? Depois, e porque está à nossa escala, vai interpelando os que passam.

O bastante para que se fique a pensar nela (na dita obra), e a tentar desvendar aquilo que pode ter estado na cabeça do autor.

E no fim outras perguntas:

Será que os “Encouters” do título se lêem? Será que há pontes e pontos de diálogo? Ou, a existirem, é só na nossa cabeça?

É que na última fotografia (abaixo) na guarda da varanda está um dos vários ideogramas que existe no retrato de D. Sebastião do MNAA. E a penúltima é um exemplo dos trabalhos em ferro de que Luís Keil escreveu: mas transposto - desde que data? - para protecção e decoração da porta de um restaurante.

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* Ver op. cit., pp. 931 a 934, texto por Diogo Gaspar e Nuno Morais.

** Como acontece num retrato de D. Sebastião, que continua a interessar-nos e do qual já escrevemos alguns posts (mas ainda incompletos).

*** Segundo J.-A. França, o retrato de D. Sebastião do MNAA, a que nos referimos, foi encomendado em 1571, a Cristóvão de Morais. É “... um dos bons retratos maneiristas (...) com o luxo da sua armadura finamente tauxiada de ouro...” Ver O Retrato na Arte Portuguesa, de José-Augusto França, Livros Horizonte (p. 35).

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