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Casamarela

Blog experimental, dedicado a uma ala do Palácio Amarelo de Portalegre. Verdadeira «Casa de Bonecas», onde, seguindo a tradição, há sinais e emblemas de nobreza. Assim: Casa Amarela, Cas'Amarela, ou Casamarela

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A SUSTENTABILIDADE DO PLANETA TERRA, e «um muito mais» para se pensar  a propósito de sonhar e/ou realizar

É que acabei de ouvir – hoje -, talvez há pouco mais de uma hora?, sobre as «péssimas condições»  em que estou aqui, em Portalegre, numa casa que foi em tempos das mais afamadas; e em que, como se diz num livro*, foi espaço de lazer “...dos ricos da cidade...”

Image0025-b.jpg

Sim, e a afirmação ouvida é verdade; aliás as duas coisas são verdade. A casa foi isso, assim como as condições em que se está, connosco a usá-la, podem ser vistas como as de um ermita.

Mais, no comentário que ouvimos, constavam  para comparação, presídios, casernas,  e até  instalações da tropa. Onde, para o tal «comentador», as condições não são tão extremas quanto as que aqui existem...

É então que me lembro (e me pergunto) sobre o que ficou no título:

Será que as pessoas de facto têm a noção de tanto, de muito excesso e do muito supérfluo (para lá do mais essencial) com que em geral todos  vivemos?

Quer nas condições de conforto**, quer nas tralhas e bibelots (ou nas centenas de livros - que são as nossas queridas bibliotecas privadas!). Tralhas de que enchemos os nossos cenários de vida, que são as casas em que habitamos...?

Será que não são possíveis vidas normais e ricas; i. e., interessantes e muito confortáveis, mas tendo menos? Será que não temos conhecimento de realidades extremas a que poucos ou nenhuns acodem, como este link e suas reflexões nos mostra, ao falar de casas que são comparáveis a verdadeiros buracos?

É então que vem a propósito a nossa profissão, e as muitas diferentes maneiras de a exercer: Nem sempre a fazer palácios, ou a trabalhar para as classes altas. 

E para além disso, quando se projecta, também se sabe que nem todos os projectos, ou as respectivas obras, se realizam: pois estas têm - e ainda bem - ora doses de realidade, ora doses de sonho.

E isto, o estar aqui, não é resiliência. O bem-estar não tem a ver com o ter. É que para se Ser é melhor começar pelos valores imateriais.  

O Ser também se faz - e sente feliz -, com várias e diferentes actividades. Ou, será que nunca ouviram falar de dopamina?***

Em suma, pode parecer o contrário?, mas o que aqui temos - além de história, cultura e  património impregnado de passado - pode ser visto como um luxo!

Image0025-e.jpg

*Cujo autor e título são: Domingos Bucho, Portalegre Visita Guiada (bilingue), Edição da CM Portalegre, Portalegre 2020. A página e os destaques ampliados vêm desse  livro. 

**É que se aqui temos um certo deficit de conforto, pelo menos temos imenso espaço – o que também é conforto, designado desafogo - como sabe bem, quando se está de férias...

***E sobre esse neurotransmissor encontrou-se esta informação.

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